segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Entrevista: Alcoolémia

25 anos! Foram duas dezenas e meia de anos a rockar em português. Com momentos bons e outros menos bons. Mas os Alcoolémia estão aí, renascidos, com sangue novo. E ao mesmo tempo que olham para o futuro não esquecem o trajeto que os trouxe até e aqui e celebram com uma série de amigos esse percurso. Manelito, figura mítica da nossa história rockeira é o motor que faz andar esta banda. E é ele que connosco fala sobre todos estes assuntos, a começar pelo seu mais recente disco XXV Anos.

Olá Manelito, tudo bem? Antes de mais, parabéns pela vossa longa e bem-sucedida carreira. Olhando para trás, pode afirmar-se que valeu bem a pena…
Sim, sem quaisquer dúvidas, tivemos problemas que acho que são perfeitamente normais neste ramo com a banda, mas tendo em conta que entrámos no meio musical tipo gatinhos acabados de nascer com os olhos fechados as coisas até que não correram assim tão mal, em que fomos aprendendo com os nossos erros, fruto da nossa inexperiência, por vezes das nossas opções, o cair, levantar de seguida, e ter a capacidade de continuar e poder estar nos dias de hoje a comemorar 25 anos, sim valeu a pena, embora se pudesse alterar algumas coisas no passado voltava para fazer outras opções... 

Ainda numa espécie de retrospetiva, quais pensam que foram os vossos momentos mais altos?
Os momentos mais altos inquestionavelmente em termos de conquistas, afirmação, sucesso, prémios, foi durante a primeira década de vida, embora neste momento a banda esteja ao seu melhor nível, isso posso garantir e defendo com unhas e dentes, venha quem vier.

E tiveram momentos menos bons – daqueles onde apetece parar tudo…?
Os momentos menos bons vieram no seguimento dos problemas com a editora Movieplay que lançou os 3 primeiros álbuns que nos encostou literalmente na prateleira a seguir a termos lançado o álbum acústico Até Onde em finais de 1998. Foi uma boa aposta a nível de produtor, o inglês Jonathan Miller, foi gravado nos estúdios Namouche e no Um Só Céu, tivemos alguns convidados, fizemos promoção,  gravámos o videoclipe do tema Quero Protestar mas apesar disso tudo o álbum não vendeu tantos exemplares como os 2 primeiros álbuns o Não Sei Se Mereço de 1995 e Não Há Tretas de 1997. Nunca nos passou pela cabeça parar tudo nesses momentos menos bons, não desistimos, mas alguns que comigo começaram esta caminhada, deixaram de acreditar, não estavam preparados para este tropeção, alguns até influenciados por terceiros que lhes impingiam que não havia futuro. Não souberam pensar pela sua própria cabeça e hoje até podem estar arrependidos mas a vida é assim e quanto a isso só posso acrescentar que dos fracos não reza a história e a banda está no acivo para o que der e vier.

Olhando para a vossa produção discográfica, verifica-se que têm três álbuns entre 1995 e 1998 mas, depois só volta a haver uma gravação em 2007. O que se passou neste entretanto?
Nós por volta de 2001 ainda apresentámos uma demo à editora com alguns temas, mas não houve interesse algum por parte da editora na edição dos mesmos. Começaram apostar em bandas que cantavam em inglês, e quanto a nós era um silêncio, optando por lançar 3 temas Não Sei Se Mereço, o Quero Protestar e o Portugal o Nosso País em 3 coletâneas diferentes, já somente em 2004, e andámos ali numa situação que não desejo a ninguém, que nos fez perder bastante, uma banda que não lança álbum, não faz promoção, não aparece nos media, para o público que nos acompanhava originou rumores que a banda acabou, mesmo com a banda a tocar ao vivo. Só em 2005 nos conseguimos desvincular do contrato com a Movieplay e finalmente em 2007 retomar as edições com o lançamento do nosso 4º álbum Alcoolémia já por outra editora.

Durante todo este tempo de carreira devem ter alguma história bizarra que vos tenha acontecido, ainda por cima com um nome como Alcoolémia… Querem compartilhar com os nossos leitores?
Não dá para fugir, histórias bizarras até que não, temos sim é quase sempre aquela pergunta da praxe se nos chamamos Alcoolémia veneramos o álcool, e gostamos de beber bastante etc etc, só rir. Atualmente na formação que temos ninguém bebe, é tudo boa gente e com juízo. Mau é algumas pessoas que não nos conhecem servem-se do nome para nos associar a problemas, retirarem-nos crédito e digo mais, em várias alturas da nossa existência fomos aconselhados a mudar de nome, mas nunca cedemos até aos dias de hoje.

A forma de comemorarem estes 25 anos foi com a edição desta compilação. Quando surgiu a ideia de trabalhar num trabalho deste género?
Em meados de 2016 começámos a trocar ideias para comemorar os nossos 25 anos tínhamos que fazer algo diferente do que tínhamos feito até aqui, e a melhor ideia que surgiu entre nós, foi pegar nos temas que ao longo dos anos sentimos mais feedback positivo através do público nos nossos espetáculos ao vivo e conciliar com as escolhas dos atuais elementos da banda.

De facto, os convidados que apresentam ajudam os vossos grandes temas a ganharem uma vida nova. Como se processou a sua escolha?
Nós tivemos algum cuidado nas escolhas, conhecíamos o trabalho feito dos convidados e sabíamos de antemão as qualidades de cada um, foi uma questão de encaixar a voz no tema certo tendo em atenção a letra a cadência do tema para se tirar o melhor resultado possível para ficarmos tanto a banda como o convidado em si satisfeitos com os resultados. Quero aproveitar e agradecer aqui publicamente a todos os convidados do Alcoolémia XXV Anos. Sem as suas participações o álbum não teria o mesmo valor e significado para nós.

Curiosamente, apenas um tema não tem um convidado que é Batam com a Cabeça no Chão. Porquê?
Inicialmente pensámos num convidado específico para o tema, mas devido a problemas de saúde e por estar em tratamentos, ele agradeceu mas declinou o convite, nós compreendemos e acabámos por não convidar mais ninguém, com muita pena nossa, mas era tanta coisa ao mesmo tempo, que caiu no esquecimento. Mas quem sabe se conseguirmos esgotar a primeira edição não seja o motivo para fazer o convite outra vez e desta vez pelas melhoras que nós sabemos que teve, e ainda bem, aceite o convite desta vez.

Em termos de originais já não há nada de novo desde 2014. Para quando o sucessor de Palma da Mão?
O sucessor de Palma da Mão está a ser trabalhado. Neste momento já existem algumas  ideias para temas, algumas até já com letra e música, e só estamos aguardar que haja disponibilidade e condições para voltar para o estúdio e começar a trabalhar a 100% nisso. Para já a prioridade é a promoção deste álbum XXV Anos que saiu para o mercado em junho passado. A promoção a sério vai arrancar este mês de setembro, e já temos algumas coisas marcadas, datas de showcases nas Fnac´s, entrevistas em Rádios, e também Tv´s.

A língua portuguesa continua sempre a ser a vossa aposta? De que forma isso afectou ou não a vossa internacionalização ou esse aspeto não foi prioritário para os Alcoolémia?
Os Alcoolémia nunca pensaram em internacionalização, nem tão pouco que iríamos estar no panorama musical neste momento com 25 anos em cima. Éramos apenas um grupo de amigos que comprou uns instrumentos e se divertiam juntos a tocar, sem objetivos concretos. O cantar em português surge pelas influências dos membros iniciais da banda, da sonoridade que estávamos na altura a desenvolver e que encaixava. A ajudar também nisso é que o primeiro vocalista a cantar em inglês não se tinha safo tão bem como se veio a confirmar em português, assim sendo tudo veio naturalmente, sem grandes planos. Vamos continuar a cantar em português isso é certo, porque gostamos e já faz parte da identidade da banda.

Este novo trabalho surge associado a uma nova editora. Como tem sido a vivência nessa nova casa?
Esta nova editora é um tremendo desafio, até agora não existe razão de queixa, nós confiamos nas pessoas que estão por detrás da Display Music, o João Correia e o Vasco Andrade são amigos de confiança de longa data e os Alcoolémia foram a 1ª banda a ser lançada, como tal estamos todos empenhados para que resulte o melhor possível para a editora ter continuidade e crescermos todos juntos, hoje nós, amanhã outros talentos que existem aqui nas redondezas e não são assim tão poucos que espreitam uma oportunidade de uma editora apostar neles.

Que projetos ainda têm em mente, digamos, para os próximos… 25 anos (risos)?
(Risos) Isso é muito tempo à frente, mas temos algumas ideias em carteira, o gravar um álbum ao vivo, um dvd ao vivo, se possível mais álbuns de originais, estamos nesta altura com um bom grupo de músicos, empenhados em levar a banda para a frente, o que é super importante, com uma boa equipa desde agência, o manager, as nossas promotoras, equipa técnica que nos acompanha na estrada e quando o assim é, tudo se torna uma questão de tempo para se atingir mais e melhores valias.

Obrigado, Manelito! Queres acrescentar mais alguma coisa?
O agradecer esta entrevista, agradecer os vossos parabéns e o interesse demonstrado neste nosso trabalho de comemoração dos XXV Anos, tão especial para a banda. Obrigado nós.

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