segunda-feira, 26 de junho de 2017

Entrevista: Viralata

Se houvesse mais bandas com o espírito dos Viralata, certamente o mundo seria bem melhor! Diversão, alegria e descomprometimento fazem parte do seu vocabulário enquanto banda praticante de um punk rock sempre em rota de colisão com a boa disposição. Rota de Colisão que é, precisamente, o título do seu mais recente disco e motive que nos levou à conversa com o coletivo lisboeta.

Olá pessoal, tudo bem? Ora aí estão os Viralata de regresso com mais uma descarga de adrenalina, crítica e bom humor. Como foi o período que se sucedeu ao lançamento de Doa a Quem Doer e à nossa última conversa?
Tudo ótimo. A seguir ao lançamento do segundo disco, seguiu-se um período intenso de promoção e concertos e, mais tarde, de começar a preparar o novo disco que finalmente saiu.

E como decoreu todo o trabalho que vos levou até Rota de Colisão?
É o processo natural e normal. Começar a reunir ideias, a ouvir coisas, a compor, escrever, ensaiar, experimentar, arranjar e gravar em estúdio.

Uma rota que também vos fez colidir com João Sanpayo e Eduardo Vaz Marques. Como se proprocionaram essas duas participações?
Para além de serem músicos de quem nós gostamos bastante, são também nossos amigos, daí ser muito fácil partilharmos esta experiência em conjunto. Convidamo-los e aceitaram à primeira. E o resultado deixou-nos bastante felizes.

Curiosamente duas gerações distintas dentro do punk rock. Foi essa a intenção? Como que a homenagear as vossas raízes e os vossos colegas de atualidade?
Também. Em primeiro lugar, porque a participação deles acrescentava, de facto, muito valor às canções em causa. Eram músicas que precisavam e pediam mesmo a interpretação deles. Por outro lado, porque obviamente partilhamos o mesmo ADN musical, temos imenso em comum, falamos a mesma linguagem.

Um dado curioso no alinhamento do disco é a faixa final, Fim… Qual o seu significado?
O disco tem uma intro e um final. Na intro é o início da “nossa viagem”. O final é como que uma ironia ao futuro que nos espera se nada for feito. A extinção. Pensamos que para lá que caminhamos se nada mudar entretanto.

Depois têm Lúcio Fernando… é a vossa “Alcides Pinto”? Agora a sério, quem o “vosso” Lúcio Fernando?
Lúcio Fernando é o verdadeiro nome de Lúcifer. LÚCI (Lúcio) FER (Fernando). É uma sátira ao Diabo e uma ironia a quem é mau para com os outros, na realidade, por falta de afeto e carinho. (risos) O mundo precisa mesmo é de amor e prostitutas.

Aliás, em termos de humor, os Viralata parecem estar ainda mais à frente que no disco anterior. Basta atentar numa letra como És Linda! Como é que uma letra daquele tipo surge?
Acho que em termos de humor mantemos o mesmo registo, é algo que faz parte de nós. No que ao tema diz respeito, sinceramente, sempre quisemos ter uma música romântica, e isto foi o mais perto desse registo que conseguimos. (risos)

De resto, mantendo a mesma equipa e a mesma editora, acredito que as dinâmicas estejam muito mais oleadas. Foi importante essa estabilidade?
Sim. Os processos acabam por ser quase sempre os mesmos. Nós somos família, vivemos a música dessa maneira, quer como banda quer também na relação que temos com a Rastilho que é de grande proximidade e entreajuda.

Em termos de vídeos, ponto onde vocês também costumam ser fortes, o que já têm disponível?
Fizemos para o primeiro single, Estrelas Decadentes que antecedeu o lançamento do disco. Contamos fazer ainda mais um ou dois videoclipes quando houver oportunidade e disponibilidade.

E agora, o que se segue em termos de promoção de Rota de Colisão?
Depois de um lançamento no RCA Clube praticamente lotado, fizemos a Fnac do Colombo e fomos tocar aos Açores. Temos mais uns concertos marcados e outros a serem agendados. Mas hoje em dia é cada vez mais difícil para uma banda rock conseguir tocar bastante, preparar uma tour, o que quer seja. O rock, principalmente feito por bandas portuguesas, foi literalmente apagado do mapa musical em Portugal e deixou de ter espaço. Demasiados lobbies e interesses. Mas nós somos teimosos e fica desde já a promessa de que não iremos concorrer ao Festival da Canção.

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa?
Estamos juntos, doa a quem doer.

domingo, 25 de junho de 2017

Reviews - Junho (Parte 2)

The Butterfly Raiser (Bare Infinity)
(2017, Blackdown Music)
Bare Infinity – mais um nome a juntar à lista dos imensos que tenta a sua sorte na competitiva cena do metal sinfónico de vozes femininas, assim na linha de Nightwish, Edenbridge ou Epica. E The Butterfly Raiser, segundo longa-duração dos gregos, mostra-nos uma excelente voz, com um belíssimo timbre, perdida num oceano de ideias e fórmulas já utilizadas até à exaustão. A inclusão de coros e elementos éticos/folk tenta mudar esse destino, mas são utilizados de forma pouco consequente e sem o necessário arrojo. Ainda assim, a primeira metade do disco é suficientemente apelativa para chamar a atenção do ouvinte. Infelizmente, a segunda metade decai drasticamente. Este é um disco que se tivesse menos 3 ou 4 faixas melhoraria significativamente. (4.9/6)


Manifestation (Midnight Rider)
(2017, Massacre Records)
Com membros de outras bandas (Metalucifer no Japão e Metal Inquisitor na Alemanha), os Midnight Rider são um abanda de culto que se estreia com Manifestation. Analógico e orgânico, Manifestation, recria o heavy metal dos anos 70 e 80, de bandas como Judas Priest, Black Sabbath, Iron Maiden, Kiss ou Thin Lizzy. No entanto, Manifestation é um disco repetitive e monótono, salvo por alguns riffs mais ousados, algumas mudanças rítmicas mais interessantes e por algumas cavalgadas épicas. Ainda assim, insuficiente para o colocar ao nível do que estes músicos têm feito nas suas outras bandas. (4.6/6)


Empress Of The Cold Stars (Perpetual Rage)
(2017, Inverse Records)
Bastante interessante este segundo álbum para os finlandeses Perpetual Rage que em Empress Of The Cold Star não se preocupam em inventar a roda, mas antes seguir as boas indicações deixadas pelos nomes icónicos dos anos 80. Sim, os Perpetual Rage aproveitam o que de melhor Dio, Iron Maiden, Saxon e afins tinham, injetam-lhe uma adequada dose de personalidade e eis uma coleção de dez temas de heavy metal tradicional, versátil, enérgico e com atitude. (5.0/6)


Towards The Mountains (Herc)
(2016, Independente)
Com um passado no power metal Herc decidiu enveredar por caminhos mais épicos e fantasiosos, sendo que Towards The Mountains é o seu mais recente registo. Um disco onde paisagens calmas, atmosféricas e acústicas são, por vezes, cortadas por descargas mais densas e obscuras. O mundo de Tolkien é a principal inspiração de Herc, embora musicalmente se aproxime muito dos Bathory, pelo menos nas suas fases menos agressivas. A influência black e pagan metal também se fazem notar, essencialmente ao nível das ambiências. No entanto, os dedelhados acústicos, partes sinfónicas e coros majestosos são as principais mais valias de um álbum que acaba por se tornar monótono fruto da sua longa extensão – cerca de duas horas. (5.3/6)


The Brainstorm Vol. II (Backflip)
(2017, Hellxis Records)
The Brainstorm é o disco que os Backflip apresentam em duas partes de seis temas cada. A primeira já saiu em 2016 e agora surge a segunda, mais uma vez captada nos Generator Music Studios com Miguel Marques ao comando. O quinteto luso, que aqui estreia o guitarrista Tiago Gonçalo que substitui Miguel Morais, evoluiu e mostra como fazer bom hardcore cheio de ganchos melódicos e vozes limpas conjugados com a sua habitual agressividade. Adequado para fãs de Comeback Kid, Rise Against, Terror ou Ignite. (4.2/6)


Lilith (Lamina)
(2017, Raging Planet)
Os Lâmina nasceram em Lisboa em 2013 com a intenção de fazerem stoner rock psicadélico influenciado por nomes como Acid King, Electric Wizard ou Sleep. O resultado do seu trajeto é um manifesto de ocultismo e psicadelismo retro na forma de Lilith. Uma rodela com sete temas que combinam as influências ácidas, ambientes psicadélicos, riffs stoner rock e um som, genericamente, obscuro oculto e doomy. (4.4/6)

sábado, 24 de junho de 2017

Reviews - Junho (Parte 1)

The Eye Of Tilos (Perfect Blue Sky)
(2017, SMG/Right Recordings)
Da junção do músico sueco Pontus Andersson e da vocalista australiana Jane Kitto nascem os Perfect Blue Sky, independentemente de anteriores colaborações entre os dois músicos. O novo álbum, The Eye Of Tilos, é uma viajem retrospetiva aos anos 60 e 70, ao peace and love e ao flower power. Melodias singelas criadas essencialmente com guitarras acústicas onde o minimalismo e o psicadelismo prevalecem. No entanto, falta algum nervo, alguma intensidade, o que faz de The Eye Of Tilos um disco, em muitos momentos, desinteressante e bastante insonso. (4.3/6)


Non-Stop Mexico-Jamaica (Ozomatli)
(2017, Cleopatra Records)
Para quem não conhece, os Ozomatli são um abanda californiana de latin-fusion já galardoada com diversos Grammy. Non-Stop Mexico-Jamaica, o seu novo trabalho, nasce do conceito de juntar duas das mais ponderosas tradições musicais: a canção Mexicana (clássica e contemporânea) com a assinatura dos ritmos jamaicanos. O resultado é o conjunto de 14 temas do século passado, reimaginadas e renascidas com a ajuda de Sly & Robbie, um dos duos de bass & drum mais respeitados da Jamaica. A ideia é engraçada e a fusão com outros ritmos como o R & B ou o rock resultam bem. No entanto, o recurso exagerado a ritmos eletrónicos e hip hop, acabam por tornar os temas menos imprevisíveis e mais plásticos. (3.8/6)


The Camden Promise (Tony Natale)
(2017, Independente)
Tendo como principal objetivo a disseminação da paz e do amor, Tony Natale é baterista e compositor americano que, enquanto vivia em Camden Town, Londres, se juntou a Brian Heaven para comporem 8 temas de rock soft, onde as guitarras têm a principal palavra a dizer. Mais tarde, John Idan, dos The Yardbirds, juntou-se ao duo para terminar o álbum. The Camden Promise é um disco variado embora, como referido, centrado no rock. E essa variabilidade é dada por passagens pelo pop, pelo R & B, pelo boogie rock (Boogie Around é, de facto, o melhor tema do disco), e até por passagens mais étnicas como sons latinos, afro e tribais. (4.5/6)


Amber Galactic (The Night Flight Orchestra)
(2017, Nuclear Blast)
Membros dos Soilwork e Arch Enemy rapidamente se transformaram de elementos do metal mais pesado em hard rockers. E o novo disco dos The Night Flight Orchestra, primeiro para a Nuclear Blast, possui muitos condimentos que os situam próximo do rock de uns Kiss, ou, mais genericamente, do rock anos 70/80, mas adicionado de outras nuances, como palmas, saxofones, vocais femininos, pianos e solos de sintetizador. Portanto, Amber Galactic solidifica o som e intenções do projeto com um conjunto de realmente boas canções e muito divertimento. (5.4/6)

Notícias da semana

O violinista dos Curved Air, Darryl Way, tem novo álbum conceptual/rock opera intitulado Underworld. O álbum saiu a 21 de junho em dois formatos: Underworld Rock Opera Complete, que inclui todo o espetáculo com diálogos e narrações e Underworld Rock Opera The Songs, que apenas contem as canções.


Os Le Roi são um coletivo praticante de king-size-rock com elementos eletro e muitos sintetizadores. O seu novo single, Jättiläisen Askeleet, fala do mundo brutal que todos os dias vemos nas notícias. Este vídeo inclui extratos do lendário filme The Spirit Of ’43, com o Pato Donald como mensageiro de desinformação. O vídeo conta, ainda, com as participações de Donald Trump, Vladimir Putin, Superman e Popeye.


Os Trêsporcento regressaram em abril deste ano com Território Desconhecido, novo longa duração que marcou também a colaboração entre a banda e Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu este disco. Depois do lançamento dos singles O Sonho, que passou várias semanas na liderança no ranking de temas mais votados pelos ouvintes da Antena 3, e Tempos Modernos, cujo vídeo realça a importância da preservação da nossa costa, chega o vídeo de A Ciência, um dos temas mais orgânicos do disco, que capta de forma mais crua a energia criada pela banda na sala de ensaios.


O guitarrista e compositor Rex Shepherd lançará a terceira parte da sua série digital Never Buy My Self, a 29 de junho. Se os dois primeiros volumes lançados em 2014 mostram Shepherd a tocar a solo em vários duetos, esta terceira parte continua este objetivo, num conjunto de temas que assentam em peças compostas e improvisadas.


A Esoteric Recordings anunciou o lançamento de uma edição de luxo com 3 discos (2 CD e DVD) do álbum clássico Slow Dance, originalmente lançado por Anthony Phillips em 1990. Anthony Phillips foi membro fundador dos Genesis e Slow Dance é uma rock suite composta por duas partes. Esta nova edição digipack apresenta novas remasterizações e um CD – Slow Dance Vignette – com temas nunca antes lançados.


Com influências que vão desde Jack White a Chuck Berry; de Seasick Steve a The Legendary Tiger Man, os Dog’s Bollocks são uma dupla de Blues/Rock de Torres Novas que acaba de lançar o EP Single Malt Blues e que já está disponível no Spotify. Duas guitarras, meia bateria, muito blues e rock n roll é uma forma de descrever a sonoridade dos Dog’s Bollocks, banda composta por Daniel Martins (guitarras e voz) e Luís Leitão (guitarras, voz, bombo e pratos de choque). De momento, o projeto encontra-se a promover o seu trabalho, com o tema Birds And The Bees já a rodar nas rádios.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Entrevista: Valor

O metal precisa de luz – diz Vaggelis Krouskas – e se há alguém capaz de transmitir toda essa luminosidade, não haja dúvida que são os Valor. Basta ouvir o seu mais recente trabalho, Arrogance: The Fall e toda a sua capacidade melódica e épica para se perceber a amplitude do que afirmamos.

Olá Vaggelis, como estás? Como estão as coisas no reino dos Valor?
Saudações dos Valor, todos nos sentimos bem e tudo até agora parece emocionante e muito promissor! Também gostaria de agradecer a tua excelente review! É o feedback muito positivo que obtemos da maioria, ainda não de todos, dos comentários em todo o mundo que nos dá uma razão para seguir o caminho que fizemos até agora! Obrigado por isso, nós apreciamos!

Foram quatro anos desde The Yonder Answer. Como utilizaram esse tempo? Com o que estiveram ocupados?
Durante estes quatro anos trabalhamos no nosso novo lançamento! Em 2015, lançámos um vinil de 7 polegadas com duas faixas, incluindo uma faixa do novo álbum, a Crown of Evermore! Ao longo destes quatro anos, houve muito trabalho em termos de produção e arranjos de canções, visando um objetivo ainda maior do que o álbum The Yonder Answer. Acreditamos que alcançamos as nossas expetativas e, até agora, as pessoas que já nos conhecem criticaram positivamente esse nosso esforço.

Na altura falaram que The Yonder Answer era o resultado da vossa evolução como banda. Agora, com Arrogance: The Fall, acho que esse processo é ainda mais visível. Até onde poder ir os Valor? Sentem que ainda tem uma grande margem de evolução?
Em termos de evolução damos sempre um passo em frente. Obrigado por mencionares "ainda mais visível no nosso novo disco"! O valor disso é o nosso difícil trabalho em equipa. Fazer música tem duas componentes: a primeira, e mais importante, tem a ver com a inspiração, um fator que não podes controlar e onde não podes evoluir; a segunda, a evolução técnica de cada membro da banda e geralmente na produção de som (gravação, mistura e masterização) do resultado final! Depois veremos o resultado, meu amigo ...!

Sinto que este novo trabalho é ainda mais grandioso no que diz respeito às partes épicas e especialmente às linhas melódicas. Trabalharam mais estes aspetos?
Obrigado novamente por dizeres isso! Elementos épicos na música Heavy Metal tem muitas abordagens diferentes por parte do público atual. Estamos a tentar penetrar mais profundamente no significado e identificar os verdadeiros epicenos do heroísmo da vida na vida cotidiana! As pessoas próximas que lutam para superar as verdadeiras dificuldades. As linhas melódicas acabam por sair da forma que achamos que deveriam sair! Isto é o que nós juramos defender como Valor e do qual ainda nos sentimos muito orgulhosos!

Arrogance: The Fall é, também, um álbum conceptual como o vosso antecessor? Qual é o tópico principal abordado agora?
Arrogance: The Fall não é um álbum conceptual, embora todas as músicas tenham uma referência comum em aspetos de perspetiva de vida como grandeza, revolução, virtude, unidade e valor, etc., é claro! Ideais que continuamos a defender a proteger nas nossas vidas contra a arrogância, o pai da corrupção e destruição da humanidade!

O artwork é deveras excelente. Quem foi o responsável?
O homem por trás de todas as artworks dos Valor é Nick Deligaris! Nick é um designer digital super-talentoso e estamos muito felizes por tê-lo connosco desde o início dos Valor. Agradecemos-lhe por compartilhar o seu talento connosco. Podem encontrar toda a sua carreira maravilhosa em www.deligaris.com.

Como já referiste, a música The Crown Of Evermore já tinha sido lançada como single em 2015. Essa versão foi uma espécie de teste para este álbum?
Quatro anos é muito tempo para estar ausente e naquele momento, em 2015, prevíamos que completar o álbum nos levaria mais 1-2 anos, por isso achamos que seria uma boa ideia lançar uma edição especial para amantes de vinil, com uma faixa do álbum seguinte, apenas para dar uma ideia. Também incluímos uma das nossas versões favoritas que fazemos ao vivo, o tema The King dos Accept.

E quanto às outras músicas, são todas da mesma altura (2015) ou começaram logo a ser criados a seguir ao lançamento de The Yonder Answer?
Quase 80% das faixas foram compostas até 2015. Ainda assim, nas pré-produções surgiram muitas mudanças e novas ideias que precisavam de tempo para desenvolver. O que estou a tentar dizer é que este álbum está, de longe, melhor preparado do que o anterior, com muitos dias e noites de trabalho árduo, muito suor e esperança no nosso recém-nascido!

Próximos projetos a serem cumpridos nos tempos que se seguem?
Até agora cumprimos a nossa tournée grega de Arrogance: The Fall! Estamos a preparar-nos para a próxima temporada e ver o que pode surgir! Enquanto isso, a partir de setembro, começaremos a compor o novo álbum. Já há algumas ideias muito boas na mesa! Ainda ninguém sabe o que acontecerá no futuro. Como já te disse, a música dos Valor não é apenas um produto onde temos limites de tempo para produzir. Enquanto a inspiração estiver do nosso lado, continuaremos como até agora.

Obrigado, Vaggelis! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado, também, meu amigo por esta entrevista! Espero que o heavy metal seja tratado pelas pessoas como realmente merece, com respeito e dignidade! A grandeza da nossa música deve trazer a luz das nossas almas enquanto luta pela esperança e positividade! Parte do Heavy metal da atualidade está a passar por um caminho sombrio de confusão e nós, que representamos exatamente o lado oposto, devemos fazer a nossa luta e voltar a espalhar a luz por todas as terras!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Playlist Via Nocturna 22 de junho de 2017


Review: Stonehymn (Wind Rose)

Stonehymn (Wind Rose)
(2017, Inner Wound Recordings)
(5.3/6)

Em 2015 foram aclamados com o álbum Wardens Of The West Wind e como deram nas vistas, dois anos se passaram e a Inner Wound Recordings aposta neste coletivo italiano para o lançamento de Stonehymn, o terceiro album. O que aqui temos é um cruzamento criativo e bem elaborado de folk metal com symphonic metal e power metal. Como se o metal bárbaro do norte encontrasse os elementos folk dos celtas. O resultado é deveras agradável e coloca os Wind Rose no mesmo campeonato quer dos Wintersun e Korpiklaani (de onde bebem a componente folk), quer dos Turisas (onde vão buscar a sua parte mais prientada para as batalhas épicas e a parte bárbara), quer ainda dos Blind Guardian, onde recuperam a complexidade instrumental e o arrojo vocal (sempre limpo, refira-se) e coral. Um vasto panorama, portanto, que a banda tenta levar a bom porto, embora nem sempre o consiga. E não o consegue porque se nota vontade de fazer muita coisa ao mesmo tempo e o resultado é, por vezes… alguma confusão. Nada que a banda não dê já mostras de ter talento e capacidade suficiente para ultrapassar, limando algumas arestas e deixando transparecer o essencial em detrimento do acessório.  No entanto, não nos interpretem mal: Stonehymn é um grande disco de metal: dois instrumentais sinfónicos em nove temas cheios de atmosferas evocativas que tanto nos transportam para o oeste selvagem, como para a fantasia da Terra Média, sem esquecer batalhas épicas e lutas históricas. Tudo como mandam as regras do género!

Tracklist:
01. Distant Battlefields
02. Dance of Fire
03. Under the Stone
04. To Erebor
05. The Returning Race
06. The Animist
07. The Wolves’ Call
08. Fallen Timbers
09. The Eyes of the Mountain

Line-up:
Francesco Cavalieri - vocais
Claudio Falconcini - guitarras
Federico Meranda - teclados
Daniele Visconti - bateria
Cristiano Bertocchi - baixo

Internet:
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Edição: Inner Wound Recordings     

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Entrevista: Pyramaze

A funcionar como um verdadeiro coletivo, criando sem limites ou fronteiras tem proporcionado aos Pyramaze um sucessivo, sistemático e sustentável crescimento. Contigent, o mais recente trabalho dos dinamarqueses volta a subir a fasquia. E foi isso mesmo que fomos conferir com um Jacob Hansen cada vez mais envolvido e comprometido com os Pyramaze.

Olá, Jacob, como estás? Na realidade, promessa cumprida... Não tivemos que esperar mais sete anos para um novo álbum dos Pyramaze...
Sim, e é tão bom! Uma aliança estável e um grupo feliz de pessoas juntas a fazer boa música. Na realidade, não poderia estar mais feliz com a situação dos Pyramaze.

E desta vez sem os problemas habituais relacionados com os vocalistas. Terje é mesmo o vosso homem?
Obviamente sim. Sentimos que finalmente encontramos um line-up onde todos se sentem confiantes e onde são ouvidos. Esta é uma grande democracia onde todos têm o direito a ter uma opinião, mas todos encontramos o nosso lugar na banda. Morten faz aquilo em que é melhor, assim como eu e os restantes elementos, se me entendes. Há sempre alguém na banda que é bom em alguma coisa, e dividimos o trabalho entre todos os membros, portanto todos sentem que dizem.

E no que diz respeito a ti, cada vez mais envolvido na filosofia dos Pyramaze?
Ah, sim! Sinto-me como uma grande parte da banda e todos nós aprendemos muito com Disciples Of The Sun. E esta é uma banda que me faz feliz. Estou muito feliz por me terem recebido assim e por me terem dado espaço para explorar o que posso trazer para o conjunto.

De que contingente nos falam os Pyramaze neste novo álbum?
Fala de eventos que provavelmente acontecerão num futuro próximo, refletidos na forma como vemos o mundo a mudar atualmente. Na verdade, se não mudarmos a direção para onde nos deslocamos, não tenho certeza de que o futuro seja muito brilhante para a humanidade ou qualquer coisa neste planeta. Eu sei que isso já foi dito há milhares de anos, mas tornou-se cada vez mais evidente que os líderes do mundo de hoje não são de confiança e definitivamente não se preocupam com o futuro de seus próprios filhos ou netos. Importam-se apenas com o agora. Penso que toda essa filosofia está a mudar o que muitas pessoas pensam nos dias de hoje. Preferem ter dinheiro do que água potável - ou, pelo menos, parece, quando procuram os seus líderes. Não consigo entender quão terrível é a política da civilização ocidental. Felizmente, teremos uma alternativa aos capitalistas na corrida à liderança.

Pelo que se pode ver, os Pyramaze continuam a evoluir. O que torna o Contigent diferente dos vossos álbuns anteriores?
Sinto que é ainda mais nosso. Definitivamente, encontramos um novo som em Disciples Of The Sun, e isso desenvolveu-se para onde estamos agora. Todos contribuíram com ideias para este disco. Começamos a escrever músicas e a colocá-las numa enorme pasta Dropbox, e Toke, Morten e eu começamos a trabalhar na parte básica das músicas. Enviamos tudo para Jonah, que a levou para novos e excelentes lugares. Depois disso, Henrik Fevre começou a escrever as letras e linhas melódicas para as músicas, e foi tudo enviado para Terje, que começou a trabalhar nas gravações e arranjos vocais junto com Christer Harøy (Divided Multitude). Cada vez que uma nova equipa trabalhava nas músicas, elas cresciam. Adoro os álbuns antigos, mas é um animal diferente agora já que todos somos pessoas diferentes.

Em termos de composição, acabou, portanto por ser um trabalho coletivo…
Definitivamente! Como disse, todos estamos empenhados quando se trata de escrever músicas. Sentamo-nos e começamos com uma ideia e desenvolvemos a partir daí, utilizando a banda inteira, bem como nosso grande liner/letrista Henrik Fevre (Anubis Gate). Além disso, e isso é o que separa os álbuns antigos dos dois novos: todos escrevemos o que dá ao álbum uma profundidade que é extremamente importante para nós. Como referi, os álbuns antigos são trabalhos fantásticos, mas dificilmente podem ser comparados com o que fazemos agora. É Pyramaze V2.0, e estamos muito felizes, com o caminho que estamos a seguir agora.

O que mais vos inspirou neste trabalho, nomeadamente a inclusão das partes sinfónicas?
Bem, Jonah (teclista) é um fã de grandes compositores de filmes como Danny Elfman, Hans Zimmer, John Williams, etc., e acho que funciona nas canções de Pyramaze. Também a forma como estamos a dar vida às histórias é ajudada por orquestrações ao invés de ser um pouco limitado ao uso de guitarras, baixas e bateria, (risos). Acabamos por dizer a Jonah que fosse completamente louco onde quisesse para vermos onde isso nos levava, e esta é, definitivamente, uma ótima maneira de trabalhar: sem fronteiras.

Parece haver algum tipo de conceito ligado a Contigent, algo relacionado com invasões alienígenas ou algo assim. Estou certo?
É o grande conceito de ficção científica de Jonah, e é exatamente sobre isso, mas receio que lhe tenhas de perguntar, mas principalmente é um tema político de ficção científica que poderia estar a acontecer hoje em vez de no futuro.

Deste álbum, já foram extraídos três singles/vídeos - Kingdom Of Solace, 20 Second Century e, mais recentemente, A World Divided. Estão previstos mais alguns?
Ah, sim, lançaremos mais 2-3 vídeos. Sinto que é importante ser muito visual, e realmente gostaríamos de fazer vídeos para cada música. Quem sabe, poderemos fazer isso no próximo álbum. Além disso, sentimos que temos muito para vos mostrar.

No álbum anterior, entraram em estúdio sem ter as músicas completamente prontas, sendo o trabalho concluído já em estúdio. Como foi desta vez? Utilizaram o mesmo sistema?
Foi mais ou menos, sim. Sentimos que na última vez encontramos uma ótima maneira de trabalhar mantendo tudo fresco e espontâneo e queríamos que isso acontecesse novamente. Infelizmente, Toke adoeceu durante o final das gravações, pelo que Morten e eu terminamos as últimas 2 músicas, o que foi mau, mas achamos que, de qualquer forma, funcionou. E não há dúvida de que faremos da mesma forma. Talvez desejemos que Jonah se junte a nós em estúdio - veremos.

No comunicado de imprensa pode-se ler que os Pyramaze are devoted to making music that mirrors their souls. O que significa isso exatamente?
Que a música vem diretamente dos nossos corações. Mesmo. Há uma forte fraternidade na banda que nunca experimentei antes e tenho certeza de que essa amizade sai de nós nas músicas. Consigo ouvir o quanto somos divertidos quando escrevemos e gravamos os álbuns.

Após o sucesso no Prog Power USA, já estão confirmados para a edição europeia deste festival. Mas até lá o que têm programado?
Infelizmente, nada. Não fomos muito bons na criação de espetáculos para festivais, mas agora já contactamos muitos festivais para o próximo ano, portanto, espero que algo aconteça!