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Entrevista: Slam & Howie And The Reserve Men

Estando perfeitamente à vontade quer num saloon quer num clube punk, os suiços Slam & Howie And The Reserve Men são uma das mais refrescantes e originais propostas saídas do velho continente. Com o seu quinto álbum, Sons Of Ancient Times, preparam-se para tomar de assalto, mais uma vez a Europa (também mais uma vez, Portugal não entra!) com o seu estilo único, inconfundível e altamente energético. O líder da banda Lt Slam falou a Via Nocturna da evolução do quinteto e do seu novo trabalho.
 
Viva Slam! Obrigado por perderes algum do teu tempo a responder a Via Nocturna. Para quem não conhecem a tua banda, podes apresentar os Slam & Howie and The Reserve Men?
Somos de Berna, Suíça e andamos em tournée pela Europa desde 2006. Primeiro, éramos apenas dois elementos (voz/guitarra, bateria), depois transformamo-nos num quarteto (mais guitarra e baixo) e, finalmente chegou o nosso amigo Ross The Red a bordo para nos tornarmos num quinteto (mais guitarra/banjo). Quem sabe, não seremos 10 pessoas em palco dentro de alguns anos. Defendemos a música honesta e artesanal, tocamos o que gostamos, portanto, a nossa música é uma mistura entre rock, country, bluegrass e rockabilly ou simplesmente chamado de rock 'n roll.
 
Vocês são conhecidos por energéticos espetáculos ao vivo. Desta vez, colocaram toda a vossa energia neste novo álbum, não concordas?
Sim, estás certo! A decisão de gravar um novo álbum foi muito espontânea. Demorou apenas seis meses desde o primeiro momento até a data de lançamento no início de fevereiro. Dentro deste período, colocamos toda a nossa energia neste processo de escrita de canções (e escrevemos mais de 40), desenvolvimento das músicas, escrever letras, selecionar temas e, finalmente entrar em estúdio com as 13 músicas que mais gostávamos. Além de que fizemos alguns espetáculos como compensação mental. Quando se trabalha duro não deves esquecer a festa de vez em quando.
 
É engraçado que sendo vocês da Suíça, a vossa sonoridade é muito americana. Há algum motivo?
Bem, quando se vive na Suíça têm-se duas possibilidades: ou se canta em suíço-alemão(a nossa língua-mãe) ou se canta em Inglês. A Suíça é um país muito pequeno e a parte de língua alemã é ainda menor (cerca de 4,5 milhões). O que tocamos não é muito pop mainstream e coisas do género e gostamos de fazer tournées (o que não é possível na pequena Suíça). Assim, devido a estes fatos foi claro desde o início que nós iríamos cantar em Inglês. Vemos isso como um elogio, se as pessoas pensam que somos dos EUA.
 
Sons Of Ancient Times é já o vosso quinto álbum. De que forma marca a vossa evolução enquanto banda?
Bem, isso não é uma pergunta fácil, talvez devas ser tu a responder. Para o primeiro disco nós não tínhamos nenhum plano… apenas tínhamos algumas canções, fomos para estúdio e gravámos o álbum inteiro em dois dias e meio. Desde 2006 até hoje fizemos quase 600 espetáculos o que significa que temos muitas impressões de toda a Europa, ouvimos toneladas de outras bandas, sendo que fomos influenciados por algumas delas e por último, mas não menos importante, envelhecemos. Com os últimos dois discos (Renegade, Sons Of Ancient Times), decidimos desistir de quaisquer fronteiras musicais e apenas escrever as melhores músicas possíveis. Essa é uma das razões pelas quais os nossos discos têm sido mais versáteis durante os últimos anos.
 
Basicamente o álbum foi gravado ao vivo em estúdio, certo? Como foi a experiência?
Todos os nossos álbuns foram basicamente gravados ao vivo. Mas desta vez mudamos a forma de gravação. Desta vez foram registados primeiro todas as faixas básicas. Significa que toda a banda tocou as músicas e nós gravamos a bateria, baixo e as guitarras elétricas. Depois de todas as faixas básicas estarem feitas, eu fiz os vocais e as guitarras acústicas para cada faixa e assim por diante... Neste álbum, fizemos uma música por dia. Começamos pela manhã com as faixas básicas, tentei alguns arranjos, fiz os vocais, o resto da banda fez os backings vocals, adicionamos algumas slide guitar, guitarras elétricas e acústicas etc. Até que ao final do dia tínhamos uma música completa. Foi uma sensação boa, trabalhar o dia inteiro na mesma música, manter o foco, desenvolver ideias diferentes, ir bem fundo dentro da música. Acho que se pode ouvir isso no disco.
 
Então correu bem todo o processo de gravação?
Antes de irmos para estúdio fizemos nós próprios uma pré-produção na sala de ensaios. Por isso, toda a gente sabia mais ou menos o que fazer. Isso facilitou em estúdio e conseguimos colocar o foco nas músicas, no sentimento e até houve tempo e espaço para experimentar coisas novas. A atmosfera foi muito relaxante e passamos um tempo muito bom no estúdio. Dave, o produtor, puxou por nós de forma decente e conseguiu trazer para fora o melhor de nós.
 
O bandolim e o banjo desempenhar um papel muito importante na vossa música, na minha opinião. É fácil cruzar estes instrumentos com os instrumentos mais tradicionais do rock durante o processo de escrita?
Sim, estás certo. Somos três guitarristas na banda. Então, há alguns anos atrás eu falei com os outros dois guitarristas e incentivei-os um pouco com a ideia de aprender a tocar banjo e bandolim. São elementos com uma mente muito aberta e compraram um banjo e um bandolim e começaram a ensaiar! Depois de algumas semanas eles já tocavam algumas das músicas do seu novo instrumento. Foi de loucos! Mas nós os três crescemos a ouvir rock e hard rock, de maneira que está gravado nos nossos corações. Assim, sempre que escrevemos músicas com banjo e bandolim o nosso fundo rockeiro está presente e torna-se mais fácil para nós incluir esses instrumentos no processo de escrita.
 
A masterização foi feita por Ed Brooks, em Seattle. Deve ser uma honra para a banda, embora esta não seja a primeira vez que ele trabalha convosco…
Ed Brooks já tinha masterizado o nosso segundo álbum Guilty. Fez um trabalho perfeito e ele é uma pessoa boa e de trato fácil. Desde o início que pensamos nele para fazer a masterização de Sons Of Ancient Times.
 
Em breve estarão em tournée pela Europa. Quais são as vossas expectativas?
Antes de mais, estamos completamente a arder para ir em tournée por toda a Europa, porque é aí onde somos melhores. Espetáculos enérgicos, selvagens... Espero que sejamos capazes de alcançar novas pessoas e ainda satisfazer os nossos "velhos" fãs. Passar um bom bocado e saborear a deliciosa gastronomia local (risos).
 
Estará Portugal incluindo nessa tournée?
Até agora, infelizmente, Portugal não está em nosso cronograma da tournée. Mas nós tocaremos em Cangas, Espanha que não é longe da fronteira. Seria um grande prazer para nós receber alguns fãs de Portugal e beber uma cerveja Superbock juntos! (risos)
 
A terminar, dou-te a oportunidade de dizeres algo mais para os nossos leitores...
Muito obrigado a todos vocês pelo vosso apoio. É bom saber que existem pessoas aí que ainda amam a boa e velha música artesanal. Tudo de melhor e vemo-nos na estrada. Saúde

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