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Entrevista: The Man-Eating Tree

O que é que as práticas agrícolas e a melancolia têm em comum? E qual o papel do outono? Tudo isto é respondido pela veia artística dos finlandeses The Man-Eating Tree que ao segundo álbum se assumem à conquista do trono do metal romântico e melancólico. Claro, sempre tendo por base a natureza deprimente outonal. Vesa Ranta, baterista do sexteto, explica-nos como.

Harvest, o vosso segundo álbum, marca algumas semelhanças com Vine. Primeiro de tudo, o mais óbvio são as referências à temática da natureza e dos trabalhos agrícolas. Porque decidiram manter estes temas?
A nossa música soa muito melancólica e outonal. Este tipo de música vem muito naturalmente de nós. Na realidade, eu não posso dizer se há alguma razão especial para isso. A um nível pessoal, o outono é a uma estação muito agradável para mim. É o tempo das colheitas e a configuração de tudo para se começar de novo. Não obstante, foi puramente uma coincidência que ambos os nossos álbuns tenham sido lançados durante o outono. Mas agora que penso nisso, é a época perfeita para lançar a nossa música.

Este é um álbum que representa fortemente o romantismo e a melancolia finlandesas. Concordas? Era este o vosso objetivo?
Como eu sempre disse, a melancolia está fortemente presente em quase todas as formas de arte finlandesa. É tipicamente muito sombrio, como as velhas canções folclóricas finlandesas por exemplo: um monte de acordes menores lá dentro! Quanto à segunda parte da questão, eu poderia dizer mais uma vez, que fazer este tipo de arte vem naturalmente de nós.

Voltaram a trabalhar com Hiili Hiilesma. É a pessoa certa para captar esse sentimento finlandês? Como é trabalhar com ele?
Nós e Hiili somos bons amigos e ele é como que o sétimo membro da banda. Nós não queríamos quebrar essa grande parceria logo após a nossa estreia. Hiili gosta da nossa música e aprecia o desafio de colocar todos os nossos elementos na ordem certa. A nossa música tem muitas camadas e, portanto, torna-se bastante desafiador misturar todos os mínimos detalhes para que eles sejam perfeitamente audíveis.

O álbum foi gravado durante uma onda de calor na Finlândia. No entanto, criaram um registo frio e cheio de melancolia. Foi difícil manter a escuridão na vossa sala de trabalho enquanto o sol brilhava? (Risos)
(risos). Na verdade não foi. As músicas foram compostas durante o período mais escuro e mais frio do ano, portanto a única coisa que tínhamos que fazer era gravá-las durante o verão. Pessoalmente, a gravação de um álbum no verão foi uma experiência relativamente nova para mim. Entre as sessões de gravação era fácil passar tempo ao ar livre a fazer grelhados, por exemplo. Tudo correu bem sem dor desde o início até o fim, por assim dizer.

Mas, no campo lírico, existe uma dualidade: podemos ver alguma luz em enormes sombras negras. Podes explicar essa dualidade?
As letras lidam metaforicamente com o outono. Um dos temas principais é o fim da estação de crescimento, para tristeza humana. Uma das raízes dos textos reside na forma como a humanidade se está a esgotar a si e ao mundo circundante. O tempo para a colheita aproxima-se e estamos, pelos nossos próprios atos, a transformar o próprio tempo numa arma que temos apontada às nossas cabeças. Os textos, algo surreais, são como uma pintura negra do mundo, com os seus limites cada vez mais próximos. Mas, por mais sombria que a imagem possa ser, há sempre uma pitada de esperança em algum lugar.

Desta vez, trabalharam com dois guitarristas, em vez de um como aconteceu em Vine. Porque?
Definitivamente, as novas músicas exigiam duas guitarras ao vivo. Por isso tomamos a decisão de recrutar um sexto membro para nossas fileiras. Encontramos o Antti através de contatos do nosso baixista Mikko e é claro que estamos extremamente satisfeitos com a nova adição à nossa família. Antti é um músico extremamente habilidoso e styleful. Ele também é um compositor muito produtivo. Ele fez duas músicas para Harvest e decidimos, incluir uma, Exhaled, no tracklisting. No entanto, ele já fez uma série de músicas para o nosso terceiro álbum.

Vamos falar sobre um tema único como Karsikko. Como conseguiram capturar aquele ambiente de igreja?
Quando ouvi a versão demo desta faixa, tive um sentimento muito forte de que esta peça pedia um instrumento que é mais especial do que o arsenal que temos à nossa disposição. Senti que ele merecia o som de um órgão de igreja. Os outros membros ficaram fascinados com a ideia, por isso decidimos colocá-la em prática. E é uma música de encerramento perfeita para o álbum.

Vocês irão em tournée pela Europa com os Amorphis e Leprous. Expectativas para essa tournée?
Esta é a nossa segunda tournée Europeia e nós estamos muito ansiosos. A malta dos Amorphis não é estranha para nós, por isso acredito que a tournée vai ser uma explosão. Os Amorphis são cada vez mais populares, portanto acho que este será o momento ideal para conquistarmos futuros fãs europeus. E é muito bom que esta tour seja em conjunto, até porque é a melhor altura para nós. Após esta tournée, nós iremos fazer um conjunto de espetáculos em várias partes da Finlândia com os Swallow The Sun.

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