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Review - Melotronical (Factory Of Dreams)

Melotronical (Factory Of Dreams)
(2011, ProgRock)

Parece que, definitivamente, Hugo Flores encontrou a sua veia e musa inspiradoras. Aquilo que começou como mais um projeto em parceria com Jessica Lehto em 2008, com Poles, sob a designação de Factory Of Dreams já vai no terceiro álbum. Melotronical volta a acentuar as principais características que já tinham feito os dois álbuns anteriores trabalhos de eleição: estruturas altamente complexas e uma grande qualidade ao nível dos vocais femininos. Mas desta vez, Hugo Flores consegue elevar o som de Factory Of Dreams a patamares nunca antes atingidos. Apesar da complexidade estrutural se manter, como vimos, parece-nos que agora os temas estão ligeiramente mais diretos e lineares, facilitando, assim, a sua perceção; por outro lado, a maturidade criativa do multi-instrumentista permite-lhe, mais uma vez, criar um trabalho diferente do que já havia sido feito; e Jessica atinge um nível, em termos técnicos, que nunca tinha atingido. Daí considerarmos que este Melotronical seja um álbum nuclear na carreira do projeto: em primeiro porque é o seu melhor; em segundo porque tem uma energia (entenda-se radioatividade!) inerente única no seu historial criativo; finalmente porque a temática se situa na química molecular e atómica. Concentremo-nos agora na evolução musical. Em Melotronical a alteração mais notória é, claramente, a inclusão bem visível de vocais masculinos. E percebe-se porque. Este é um trabalho muito agressivo, com riffs muito pesados e secções rítmicas tão potentes que por vezes se aproximam de campo do metal mais extremo. Ora, os vocais masculinos permitem desde logo duas coisas: adaptar a parte vocal ao incremento de agressividade no instrumental e criar um dinamismo vocal único na carreira do músico. Depois há, como já referido, o aumento de peso. Esta é outra das vertentes que têm vindo a evoluir desde Poles. E este Melotronical é realmente mais, denso, intenso, forte e poderoso que qualquer outra coisa feita anteriormente pelo Hugo Flores. O primeiro grande momento do álbum surge com a longa Protonic Stream, deixando uma sensação que os primeiros três temas foram uma espécie de warm-up e preparação do ouvinte para o que vinha a seguir. Mas o que vem depois desse marcante quarto tema é simplesmente grandioso para ser descrito por palavras. Alguns exemplos: Into Oblivion é dos melhores temas já escritos por Hugo Flores; Obsessical é demolidora; Back To Sleep apresenta-nos um celestial eletropop elegante; Whispering Eyes é brilhante ao nível das alterações rítmicas e dos jogos vocais; Whispering Eyes, Subatomic Tears e Dimension Crusher registam uma sensacional prestação operática de Jessica, a lembrar a espaços, Nightwish da fase Tarja. Daí até ao final, mais três temas de excelente nível completam Melotronical, com o fecho a ser feito sob a forma de Reprogramming, uma forma de dizer ao ouvinte que deve reprogramar o seu leitor para voltar a ouvir o CD. Porque é mesmo necessário!

Tracklisting:
1. Nucleon
2. Melotronical
3. A Taste of Paradise
4. Protonic Stream
5. Into Oblivion
6. Obsessical
7. Back to sleep
8. Whispering Eyes
9. Subatomic Tears
10. Dimension Crusher
11. Echoes from Earth
12. Something Calling me
13. Reprogramming

Lineup:
Hugo Flores – vocais e todos os instrumentos
Jessica Lehto – vocais

Internet:
http://melotronical.com/ - Official Site



Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

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