quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevista - Primordial Melody

Depois de Critical Chaos, os flavienses Primordial Melody está de regresso com In Cold Blood Nihilism, um EP onde o colectivo se revela mais abrangente, dinâmico e maduro. Luís Silva (guitarrista), Célio Faustino (baixista) e Francisco Silva (baterista) contam a Via Nocturna o crescimento que a banda teve desde o seu demo-CD de estreia.

Depois das boas reacções a Critical Chaos, quais são os principais objetivos a atingir com este novo EP?
O objetivo imediato é a divulgação. Desde o Critical Chaos que muita coisa mudou, como tal queríamos com este lançamento mostrar aquilo que estamos a fazer de momento, abrindo o apetite para futuros lançamentos. O objetivo geral é sempre de seguir em frente e bem. Dito isto, ansiamos que In Cold Blood Nihilism nos leve a esse sítio ainda longínquo que tanto ansiamos. Primeiro, tocar ao vivo e fazer com que a nossa música chegue ao maior número possível de ouvintes. É esse o principal objetivo com este EP, dar a ouvir e esperar que as reações sejam positivas.

Desta vez optaram por não incluir vocais limpos. Alguma razão em especial?
In Cold Blood Nihilism não tem muito do seu antecessor. Neste lançamento optámos por uma vertente mais agressiva e dinâmica. No contexto da composição, pareceu-nos natural não os incluir. Essa componente não está completamente excluída para futuros lançamentos, mas desta vez optámos mesmo por os deixar de parte.

Em termos estilísticos, nota-se, realmente, que há mais variedade e abrangência. Foi uma aposta vossa ou simplesmente aconteceu?
A composição do EP foi um processo pensado e debatido por nós. A verdade é que logo depois da primeira Demo-CD que ponderámos mudar algumas coisas em relação à musica em si. A nível de abrangência foi algo que sempre tentamos fazer, não só nas próprias músicas, mas também na variância que elas poderiam ter entre si, de forma a deixar o set list um pouco mais abrangente. Respondendo concretamente à pergunta, penso que houve um equilíbrio entre aquilo que foi premeditado e entre processos que foram sendo mudados naturalmente.

Nota-se muita evolução deste Critical Chaos para este novo EP. Houve trabalho árduo?
Digamos que Critical Chaos foi um trabalho realizado na base da experimentação. Era o nosso primeiro contacto com estúdios de gravação e ainda não sabíamos muito bem como fazer certas coisas. Penso que agora tanto a nível pessoal como a nível da composição, a maturidade é outra e o EP foi encarado de uma forma mais profissional e detalhada. Procuramos explorar muito mais coisas do que no primeiro lançamento, e penso que o retorno desse trabalho acabou por ser bastante satisfatório.

Em termos de registo, também houve alterações. Trocaram Sta. Marta de Penaguião por Braga. Sentiram essa necessidade para o vosso processo de crescimento?
Não se tratou propriamente de uma troca. Quando gravámos pela primeira vez em Sta. Marta de Penaguião a escolha pareceu-nos óbvia, uma vez que tratando-se de uma Demo-CD quisemos claramente trabalhar com o Guilhermino Martins, porque para além de amigo pessoal da banda é um entendedor na matéria, e foi sempre alguém que nos acompanhou e aconselhou desde o inicio. Ao olhar para trás, vemos que foi a escolha acertada para a altura. Quanto aos UltraSoundStudios era algo que já seguíamos desde o início e o trabalho tanto do Daniel Cardoso, como do Pedro Mendes, foi algo que sempre nos agradou. Sendo o EP um registo bastante diferente do antecessor, decidimos também experimentar trabalhar com eles e o resultado superou as expectativas. De facto, gravar nos UltraSoundStudios ajudou-nos bastante a crescer e a desenvolver a nossa maneira de fazer música.

A edição de In Cold Blood Nihilism sofreu diversos adiamentos. O que se passou afinal?
No ano transacto, a indisponibilidade de encontros regulares entre os membros da banda foi algo que se verificou, devido a motivos particulares e geográficos. Como tal, existiu uma ponderação sobre a melhor data para o lançamento deste EP, conciliada com a disponibilidade de todos os elementos da banda.

Esta volta a ser uma edição de autor. Já há contactos para uma possível ligação com alguma editora?
De momento não estamos muito interessados em contactos com editoras. Tudo tem o seu tempo. Os Primordial Melody traçaram desde o inicio um projecto com o qual nos queremos guiar. Fazia todo o sentido, a nosso ver, que este EP fosse edição de autor. Com o decorrer da carreira, será essa uma questão a ser ponderada.

Em termos de apresentação do EP ao vivo, o que já está planificado que possa ser desde já adiantado?
A apresentação oficial já foi feita há algum tempo na nossa cidade natal, Chaves. O objetivo agora é tocar ao vivo; como tal estamos abertos a todo o tipo de propostas. Neste momento estamos já a tratar desse assunto e, para já, está tudo bem encaminhado. Brevemente serão noticiadas através dos vários meios de divulgação (Myspace, Facebook, Blogs, etc), datas pelo país e quem sabe também na vizinha Espanha. É tudo que posso adiantar de momento.

Depois de uma demo-CD e de um EP, para quando o álbum?
Como referido em cima, o projeto está traçado. O álbum de estreia será o próximo passo. Já estamos a trabalhar nele e está tudo a correr como previsto. Quanto a datas de lançamento ainda sabemos pouco, mas já temos uma ideia de como tudo se vai desenrolar. Para já a meta é a divulgação do EP e mais tarde ou mais cedo, surgirão notícias sobre o álbum.

A terminar, sei que algum(s) elemento(s) dos Primel também integram um curioso colectivo que mistura bossa nova e death metal, The Fuckin’ Story. Podem esclarecer-nos como está a situação desta nova entidade?
Sim, o nosso vocalista, João Cancelinha, pertence aos Kyousou no Shi (aproveito para dizer que mudaram de nome). Também eles tiveram grandes e boas reacções depois de terem ganho o Rock Chaves Festival 2009. São grandes amigos dos Primordial Melody, ajudamo-nos mutuamente, inclusive alguns elementos de Kyousou no Shi tocaram alguns temas connosco no concerto em Chaves de apresentação de In Cold Blood Nihilism. Fica aqui um grande obrigado para eles: Marco Pereira (ex-Invisible FlameLight, ex-The Frankensteins) e David Teixeira (Trivial Y, ex-The Frankensteins), porque foi uma grande noite! Dito isto, avançamos dizendo que este projecto continua e que promete! Os mais sinceros agradecimentos ao Via Nocturna por sempre nos ter ajudado na divulgação do nosso trabalho.

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