sexta-feira, 27 de julho de 2007

Review: Words Untold & Dreams Unlived (Serenity)


Ponto Um: os Serenity são (ou eram) completamente desconhecidos para a grande maioria dos aficcionados; Ponto Dois: os Serenity são constituídos por cinco elementos todos eles sem qualquer relevância histórica no metal; Ponto Três: os Serenity são oriundos da Áustria, um país que, salvo raras e honrosas excepções, pouco ou nada tem dado ao mundo do metal; Ponto Quatro: Words Untold & Dreams Unlived trata-se do álbum de estreia do colectivo. Com estas premissas, este seria um álbum a não merecer grande atenção. Mas… Ponto Cinco: os Serenity apresentam como coroa de glória o terem compartilhado o palco com um tal senhor chamado Dio; Ponto Seis: os Serenity assinaram pela independente Napalm; Ponto Sete: Words Untold & Dreams Unlived tornou-se numa prioridade para a editora austríaca. Bom, com estes novos dados, talvez o álbum mereça atenção. E de facto merece porque esta é uma das mais bem conseguidas estreias dos últimos tempos. O colectivo navega por uma sonoridade próxima do progressivo, tendo como principais referências Kamelot, Symphony X e, até pontualmente, Communic na parte instrumental e Sonata Arctica em termos vocais. Mas é um metal progressivo algo distante dos parâmetros a que estamos habituados: muita melodia, algumas (felizmente poucas) vozes guturais, coros e temas relativamente curtos para o estilo (o mais longo não atinge os sete minutos de duração). As sucessivas alternâncias entre as partes mais pesadas com as mais melancólicas e calmas, recorrendo, frequentemente, a pianos e guitarras acústicas são outra das mais-valias deste trabalho. Mario Hirzinger, o teclista de serviço, é o principal elemento a ajudar a criar atmosferas fabulosas, mas a voz forte, colocada e muito melódica de Georg Neuhauser, também contribui para o excelente desempenho final. Destaques para Dead Man Walking, Forever, Circle Of My 2nd Life ou Engraved Within. Uma palavra final, para o espectacular trabalho artístico da capa a demonstrar uma enorme capacidade criativa aliada a um extremo bom gosto.


Nota VN: 16,67 (14º)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Review: Ghost Opera (Kamelot)


Os Kamelot têm sido ao longo destes últimos anos uma marca da boa forma de produzir power metal sem ser, necessariamente conotado com a produção americana nem, simultaneamente, padecer dos clichés que marcam a sua vertente europeia. Os três últimos trabalhos do quarteto (agora quinteto, com a inclusão do teclista germânico Oliver Palotai) são quase perfeitos. Os Kamelot acertaram na fórmula em Karma, reinventaram-na em Epica e arriscaram um passo em frente em The Black Halo. E agora? Pois, agora parece que chegaram a um beco sem saída. Aqui, esta ópera fantasma parece demasiado previsível para o seu próprio bem. Tudo que neste álbum se ouve parece já ter sido ouvido nas últimas três propostas do colectivo. As diferenças estão na velocidade dos temas, pois em Ghost Opera poucos são os verdadeiros temas de real power metal, situando-se todos num ritmo a meio tempo. Kahn continua a revelar-se um vocalista de eleição (um dos melhores actualmente) com a sua voz quente, calma e extraordinariamente melódica, mas também ele já demonstra não apresentar muita variedade na sua perfomance. Ainda assim, alguns temas como Love You To Death, Mourning Star, EdenEcho ou até Silence Of The Darkness são dignos sucessores dos anteriormente citados álbuns. Todavia não chegam para colocar Ghost Opera no lote dos imprescindíveis na carreira dos norte-americanos.

Nota VN: 16,33 (17º)