sábado, 24 de junho de 2017

Reviews - Junho (Parte 1)

The Eye Of Tilos (Perfect Blue Sky)
(2017, SMG/Right Recordings)
Da junção do músico sueco Pontus Andersson e da vocalista australiana Jane Kitto nascem os Perfect Blue Sky, independentemente de anteriores colaborações entre os dois músicos. O novo álbum, The Eye Of Tilos, é uma viajem retrospetiva aos anos 60 e 70, ao peace and love e ao flower power. Melodias singelas criadas essencialmente com guitarras acústicas onde o minimalismo e o psicadelismo prevalecem. No entanto, falta algum nervo, alguma intensidade, o que faz de The Eye Of Tilos um disco, em muitos momentos, desinteressante e bastante insonso. (4.3/6)


Non-Stop Mexico-Jamaica (Ozomatli)
(2017, Cleopatra Records)
Para quem não conhece, os Ozomatli são um abanda californiana de latin-fusion já galardoada com diversos Grammy. Non-Stop Mexico-Jamaica, o seu novo trabalho, nasce do conceito de juntar duas das mais ponderosas tradições musicais: a canção Mexicana (clássica e contemporânea) com a assinatura dos ritmos jamaicanos. O resultado é o conjunto de 14 temas do século passado, reimaginadas e renascidas com a ajuda de Sly & Robbie, um dos duos de bass & drum mais respeitados da Jamaica. A ideia é engraçada e a fusão com outros ritmos como o R & B ou o rock resultam bem. No entanto, o recurso exagerado a ritmos eletrónicos e hip hop, acabam por tornar os temas menos imprevisíveis e mais plásticos. (3.8/6)


The Camden Promise (Tony Natale)
(2017, Independente)
Tendo como principal objetivo a disseminação da paz e do amor, Tony Natale é baterista e compositor americano que, enquanto vivia em Camden Town, Londres, se juntou a Brian Heaven para comporem 8 temas de rock soft, onde as guitarras têm a principal palavra a dizer. Mais tarde, John Idan, dos The Yardbirds, juntou-se ao duo para terminar o álbum. The Camden Promise é um disco variado embora, como referido, centrado no rock. E essa variabilidade é dada por passagens pelo pop, pelo R & B, pelo boogie rock (Boogie Around é, de facto, o melhor tema do disco), e até por passagens mais étnicas como sons latinos, afro e tribais. (4.5/6)


Amber Galactic (The Night Flight Orchestra)
(2017, Nuclear Blast)
Membros dos Soilwork e Arch Enemy rapidamente se transformaram de elementos do metal mais pesado em hard rockers. E o novo disco dos The Night Flight Orchestra, primeiro para a Nuclear Blast, possui muitos condimentos que os situam próximo do rock de uns Kiss, ou, mais genericamente, do rock anos 70/80, mas adicionado de outras nuances, como palmas, saxofones, vocais femininos, pianos e solos de sintetizador. Portanto, Amber Galactic solidifica o som e intenções do projeto com um conjunto de realmente boas canções e muito divertimento. (5.4/6)

Notícias da semana

O violinista dos Curved Air, Darryl Way, tem novo álbum conceptual/rock opera intitulado Underworld. O álbum saiu a 21 de junho em dois formatos: Underworld Rock Opera Complete, que inclui todo o espetáculo com diálogos e narrações e Underworld Rock Opera The Songs, que apenas contem as canções.


Os Le Roi são um coletivo praticante de king-size-rock com elementos eletro e muitos sintetizadores. O seu novo single, Jättiläisen Askeleet, fala do mundo brutal que todos os dias vemos nas notícias. Este vídeo inclui extratos do lendário filme The Spirit Of ’43, com o Pato Donald como mensageiro de desinformação. O vídeo conta, ainda, com as participações de Donald Trump, Vladimir Putin, Superman e Popeye.


Os Trêsporcento regressaram em abril deste ano com Território Desconhecido, novo longa duração que marcou também a colaboração entre a banda e Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu este disco. Depois do lançamento dos singles O Sonho, que passou várias semanas na liderança no ranking de temas mais votados pelos ouvintes da Antena 3, e Tempos Modernos, cujo vídeo realça a importância da preservação da nossa costa, chega o vídeo de A Ciência, um dos temas mais orgânicos do disco, que capta de forma mais crua a energia criada pela banda na sala de ensaios.


O guitarrista e compositor Rex Shepherd lançará a terceira parte da sua série digital Never Buy My Self, a 29 de junho. Se os dois primeiros volumes lançados em 2014 mostram Shepherd a tocar a solo em vários duetos, esta terceira parte continua este objetivo, num conjunto de temas que assentam em peças compostas e improvisadas.


A Esoteric Recordings anunciou o lançamento de uma edição de luxo com 3 discos (2 CD e DVD) do álbum clássico Slow Dance, originalmente lançado por Anthony Phillips em 1990. Anthony Phillips foi membro fundador dos Genesis e Slow Dance é uma rock suite composta por duas partes. Esta nova edição digipack apresenta novas remasterizações e um CD – Slow Dance Vignette – com temas nunca antes lançados.


Com influências que vão desde Jack White a Chuck Berry; de Seasick Steve a The Legendary Tiger Man, os Dog’s Bollocks são uma dupla de Blues/Rock de Torres Novas que acaba de lançar o EP Single Malt Blues e que já está disponível no Spotify. Duas guitarras, meia bateria, muito blues e rock n roll é uma forma de descrever a sonoridade dos Dog’s Bollocks, banda composta por Daniel Martins (guitarras e voz) e Luís Leitão (guitarras, voz, bombo e pratos de choque). De momento, o projeto encontra-se a promover o seu trabalho, com o tema Birds And The Bees já a rodar nas rádios.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Entrevista: Valor

O metal precisa de luz – diz Vaggelis Krouskas – e se há alguém capaz de transmitir toda essa luminosidade, não haja dúvida que são os Valor. Basta ouvir o seu mais recente trabalho, Arrogance: The Fall e toda a sua capacidade melódica e épica para se perceber a amplitude do que afirmamos.

Olá Vaggelis, como estás? Como estão as coisas no reino dos Valor?
Saudações dos Valor, todos nos sentimos bem e tudo até agora parece emocionante e muito promissor! Também gostaria de agradecer a tua excelente review! É o feedback muito positivo que obtemos da maioria, ainda não de todos, dos comentários em todo o mundo que nos dá uma razão para seguir o caminho que fizemos até agora! Obrigado por isso, nós apreciamos!

Foram quatro anos desde The Yonder Answer. Como utilizaram esse tempo? Com o que estiveram ocupados?
Durante estes quatro anos trabalhamos no nosso novo lançamento! Em 2015, lançámos um vinil de 7 polegadas com duas faixas, incluindo uma faixa do novo álbum, a Crown of Evermore! Ao longo destes quatro anos, houve muito trabalho em termos de produção e arranjos de canções, visando um objetivo ainda maior do que o álbum The Yonder Answer. Acreditamos que alcançamos as nossas expetativas e, até agora, as pessoas que já nos conhecem criticaram positivamente esse nosso esforço.

Na altura falaram que The Yonder Answer era o resultado da vossa evolução como banda. Agora, com Arrogance: The Fall, acho que esse processo é ainda mais visível. Até onde poder ir os Valor? Sentem que ainda tem uma grande margem de evolução?
Em termos de evolução damos sempre um passo em frente. Obrigado por mencionares "ainda mais visível no nosso novo disco"! O valor disso é o nosso difícil trabalho em equipa. Fazer música tem duas componentes: a primeira, e mais importante, tem a ver com a inspiração, um fator que não podes controlar e onde não podes evoluir; a segunda, a evolução técnica de cada membro da banda e geralmente na produção de som (gravação, mistura e masterização) do resultado final! Depois veremos o resultado, meu amigo ...!

Sinto que este novo trabalho é ainda mais grandioso no que diz respeito às partes épicas e especialmente às linhas melódicas. Trabalharam mais estes aspetos?
Obrigado novamente por dizeres isso! Elementos épicos na música Heavy Metal tem muitas abordagens diferentes por parte do público atual. Estamos a tentar penetrar mais profundamente no significado e identificar os verdadeiros epicenos do heroísmo da vida na vida cotidiana! As pessoas próximas que lutam para superar as verdadeiras dificuldades. As linhas melódicas acabam por sair da forma que achamos que deveriam sair! Isto é o que nós juramos defender como Valor e do qual ainda nos sentimos muito orgulhosos!

Arrogance: The Fall é, também, um álbum conceptual como o vosso antecessor? Qual é o tópico principal abordado agora?
Arrogance: The Fall não é um álbum conceptual, embora todas as músicas tenham uma referência comum em aspetos de perspetiva de vida como grandeza, revolução, virtude, unidade e valor, etc., é claro! Ideais que continuamos a defender a proteger nas nossas vidas contra a arrogância, o pai da corrupção e destruição da humanidade!

O artwork é deveras excelente. Quem foi o responsável?
O homem por trás de todas as artworks dos Valor é Nick Deligaris! Nick é um designer digital super-talentoso e estamos muito felizes por tê-lo connosco desde o início dos Valor. Agradecemos-lhe por compartilhar o seu talento connosco. Podem encontrar toda a sua carreira maravilhosa em www.deligaris.com.

Como já referiste, a música The Crown Of Evermore já tinha sido lançada como single em 2015. Essa versão foi uma espécie de teste para este álbum?
Quatro anos é muito tempo para estar ausente e naquele momento, em 2015, prevíamos que completar o álbum nos levaria mais 1-2 anos, por isso achamos que seria uma boa ideia lançar uma edição especial para amantes de vinil, com uma faixa do álbum seguinte, apenas para dar uma ideia. Também incluímos uma das nossas versões favoritas que fazemos ao vivo, o tema The King dos Accept.

E quanto às outras músicas, são todas da mesma altura (2015) ou começaram logo a ser criados a seguir ao lançamento de The Yonder Answer?
Quase 80% das faixas foram compostas até 2015. Ainda assim, nas pré-produções surgiram muitas mudanças e novas ideias que precisavam de tempo para desenvolver. O que estou a tentar dizer é que este álbum está, de longe, melhor preparado do que o anterior, com muitos dias e noites de trabalho árduo, muito suor e esperança no nosso recém-nascido!

Próximos projetos a serem cumpridos nos tempos que se seguem?
Até agora cumprimos a nossa tournée grega de Arrogance: The Fall! Estamos a preparar-nos para a próxima temporada e ver o que pode surgir! Enquanto isso, a partir de setembro, começaremos a compor o novo álbum. Já há algumas ideias muito boas na mesa! Ainda ninguém sabe o que acontecerá no futuro. Como já te disse, a música dos Valor não é apenas um produto onde temos limites de tempo para produzir. Enquanto a inspiração estiver do nosso lado, continuaremos como até agora.

Obrigado, Vaggelis! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado, também, meu amigo por esta entrevista! Espero que o heavy metal seja tratado pelas pessoas como realmente merece, com respeito e dignidade! A grandeza da nossa música deve trazer a luz das nossas almas enquanto luta pela esperança e positividade! Parte do Heavy metal da atualidade está a passar por um caminho sombrio de confusão e nós, que representamos exatamente o lado oposto, devemos fazer a nossa luta e voltar a espalhar a luz por todas as terras!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Playlist Via Nocturna 22 de junho de 2017


Review: Stonehymn (Wind Rose)

Stonehymn (Wind Rose)
(2017, Inner Wound Recordings)
(5.3/6)

Em 2015 foram aclamados com o álbum Wardens Of The West Wind e como deram nas vistas, dois anos se passaram e a Inner Wound Recordings aposta neste coletivo italiano para o lançamento de Stonehymn, o terceiro album. O que aqui temos é um cruzamento criativo e bem elaborado de folk metal com symphonic metal e power metal. Como se o metal bárbaro do norte encontrasse os elementos folk dos celtas. O resultado é deveras agradável e coloca os Wind Rose no mesmo campeonato quer dos Wintersun e Korpiklaani (de onde bebem a componente folk), quer dos Turisas (onde vão buscar a sua parte mais prientada para as batalhas épicas e a parte bárbara), quer ainda dos Blind Guardian, onde recuperam a complexidade instrumental e o arrojo vocal (sempre limpo, refira-se) e coral. Um vasto panorama, portanto, que a banda tenta levar a bom porto, embora nem sempre o consiga. E não o consegue porque se nota vontade de fazer muita coisa ao mesmo tempo e o resultado é, por vezes… alguma confusão. Nada que a banda não dê já mostras de ter talento e capacidade suficiente para ultrapassar, limando algumas arestas e deixando transparecer o essencial em detrimento do acessório.  No entanto, não nos interpretem mal: Stonehymn é um grande disco de metal: dois instrumentais sinfónicos em nove temas cheios de atmosferas evocativas que tanto nos transportam para o oeste selvagem, como para a fantasia da Terra Média, sem esquecer batalhas épicas e lutas históricas. Tudo como mandam as regras do género!

Tracklist:
01. Distant Battlefields
02. Dance of Fire
03. Under the Stone
04. To Erebor
05. The Returning Race
06. The Animist
07. The Wolves’ Call
08. Fallen Timbers
09. The Eyes of the Mountain

Line-up:
Francesco Cavalieri - vocais
Claudio Falconcini - guitarras
Federico Meranda - teclados
Daniele Visconti - bateria
Cristiano Bertocchi - baixo

Internet:
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Edição: Inner Wound Recordings     

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Entrevista: Pyramaze

A funcionar como um verdadeiro coletivo, criando sem limites ou fronteiras tem proporcionado aos Pyramaze um sucessivo, sistemático e sustentável crescimento. Contigent, o mais recente trabalho dos dinamarqueses volta a subir a fasquia. E foi isso mesmo que fomos conferir com um Jacob Hansen cada vez mais envolvido e comprometido com os Pyramaze.

Olá, Jacob, como estás? Na realidade, promessa cumprida... Não tivemos que esperar mais sete anos para um novo álbum dos Pyramaze...
Sim, e é tão bom! Uma aliança estável e um grupo feliz de pessoas juntas a fazer boa música. Na realidade, não poderia estar mais feliz com a situação dos Pyramaze.

E desta vez sem os problemas habituais relacionados com os vocalistas. Terje é mesmo o vosso homem?
Obviamente sim. Sentimos que finalmente encontramos um line-up onde todos se sentem confiantes e onde são ouvidos. Esta é uma grande democracia onde todos têm o direito a ter uma opinião, mas todos encontramos o nosso lugar na banda. Morten faz aquilo em que é melhor, assim como eu e os restantes elementos, se me entendes. Há sempre alguém na banda que é bom em alguma coisa, e dividimos o trabalho entre todos os membros, portanto todos sentem que dizem.

E no que diz respeito a ti, cada vez mais envolvido na filosofia dos Pyramaze?
Ah, sim! Sinto-me como uma grande parte da banda e todos nós aprendemos muito com Disciples Of The Sun. E esta é uma banda que me faz feliz. Estou muito feliz por me terem recebido assim e por me terem dado espaço para explorar o que posso trazer para o conjunto.

De que contingente nos falam os Pyramaze neste novo álbum?
Fala de eventos que provavelmente acontecerão num futuro próximo, refletidos na forma como vemos o mundo a mudar atualmente. Na verdade, se não mudarmos a direção para onde nos deslocamos, não tenho certeza de que o futuro seja muito brilhante para a humanidade ou qualquer coisa neste planeta. Eu sei que isso já foi dito há milhares de anos, mas tornou-se cada vez mais evidente que os líderes do mundo de hoje não são de confiança e definitivamente não se preocupam com o futuro de seus próprios filhos ou netos. Importam-se apenas com o agora. Penso que toda essa filosofia está a mudar o que muitas pessoas pensam nos dias de hoje. Preferem ter dinheiro do que água potável - ou, pelo menos, parece, quando procuram os seus líderes. Não consigo entender quão terrível é a política da civilização ocidental. Felizmente, teremos uma alternativa aos capitalistas na corrida à liderança.

Pelo que se pode ver, os Pyramaze continuam a evoluir. O que torna o Contigent diferente dos vossos álbuns anteriores?
Sinto que é ainda mais nosso. Definitivamente, encontramos um novo som em Disciples Of The Sun, e isso desenvolveu-se para onde estamos agora. Todos contribuíram com ideias para este disco. Começamos a escrever músicas e a colocá-las numa enorme pasta Dropbox, e Toke, Morten e eu começamos a trabalhar na parte básica das músicas. Enviamos tudo para Jonah, que a levou para novos e excelentes lugares. Depois disso, Henrik Fevre começou a escrever as letras e linhas melódicas para as músicas, e foi tudo enviado para Terje, que começou a trabalhar nas gravações e arranjos vocais junto com Christer Harøy (Divided Multitude). Cada vez que uma nova equipa trabalhava nas músicas, elas cresciam. Adoro os álbuns antigos, mas é um animal diferente agora já que todos somos pessoas diferentes.

Em termos de composição, acabou, portanto por ser um trabalho coletivo…
Definitivamente! Como disse, todos estamos empenhados quando se trata de escrever músicas. Sentamo-nos e começamos com uma ideia e desenvolvemos a partir daí, utilizando a banda inteira, bem como nosso grande liner/letrista Henrik Fevre (Anubis Gate). Além disso, e isso é o que separa os álbuns antigos dos dois novos: todos escrevemos o que dá ao álbum uma profundidade que é extremamente importante para nós. Como referi, os álbuns antigos são trabalhos fantásticos, mas dificilmente podem ser comparados com o que fazemos agora. É Pyramaze V2.0, e estamos muito felizes, com o caminho que estamos a seguir agora.

O que mais vos inspirou neste trabalho, nomeadamente a inclusão das partes sinfónicas?
Bem, Jonah (teclista) é um fã de grandes compositores de filmes como Danny Elfman, Hans Zimmer, John Williams, etc., e acho que funciona nas canções de Pyramaze. Também a forma como estamos a dar vida às histórias é ajudada por orquestrações ao invés de ser um pouco limitado ao uso de guitarras, baixas e bateria, (risos). Acabamos por dizer a Jonah que fosse completamente louco onde quisesse para vermos onde isso nos levava, e esta é, definitivamente, uma ótima maneira de trabalhar: sem fronteiras.

Parece haver algum tipo de conceito ligado a Contigent, algo relacionado com invasões alienígenas ou algo assim. Estou certo?
É o grande conceito de ficção científica de Jonah, e é exatamente sobre isso, mas receio que lhe tenhas de perguntar, mas principalmente é um tema político de ficção científica que poderia estar a acontecer hoje em vez de no futuro.

Deste álbum, já foram extraídos três singles/vídeos - Kingdom Of Solace, 20 Second Century e, mais recentemente, A World Divided. Estão previstos mais alguns?
Ah, sim, lançaremos mais 2-3 vídeos. Sinto que é importante ser muito visual, e realmente gostaríamos de fazer vídeos para cada música. Quem sabe, poderemos fazer isso no próximo álbum. Além disso, sentimos que temos muito para vos mostrar.

No álbum anterior, entraram em estúdio sem ter as músicas completamente prontas, sendo o trabalho concluído já em estúdio. Como foi desta vez? Utilizaram o mesmo sistema?
Foi mais ou menos, sim. Sentimos que na última vez encontramos uma ótima maneira de trabalhar mantendo tudo fresco e espontâneo e queríamos que isso acontecesse novamente. Infelizmente, Toke adoeceu durante o final das gravações, pelo que Morten e eu terminamos as últimas 2 músicas, o que foi mau, mas achamos que, de qualquer forma, funcionou. E não há dúvida de que faremos da mesma forma. Talvez desejemos que Jonah se junte a nós em estúdio - veremos.

No comunicado de imprensa pode-se ler que os Pyramaze are devoted to making music that mirrors their souls. O que significa isso exatamente?
Que a música vem diretamente dos nossos corações. Mesmo. Há uma forte fraternidade na banda que nunca experimentei antes e tenho certeza de que essa amizade sai de nós nas músicas. Consigo ouvir o quanto somos divertidos quando escrevemos e gravamos os álbuns.

Após o sucesso no Prog Power USA, já estão confirmados para a edição europeia deste festival. Mas até lá o que têm programado?
Infelizmente, nada. Não fomos muito bons na criação de espetáculos para festivais, mas agora já contactamos muitos festivais para o próximo ano, portanto, espero que algo aconteça!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Review: Rota de Colisão (Viralata)

Rota de Colisão (Viralata)
(2017, Rastilho Records)
(5.6/6)

Mantendo a preocupação da crítica política e social envolvida em muita diversão e humor, os Viralata atingem o seu terceiro registo, mostrando-se coesos, mordazes, divertidos e perfeitamente descomprometidos e, acima de tudo, extraordinariamente inteligentes na forma como gerem essas temáticas em função da astronomia e da exploração espacial. Rota de Colisão, assim se chama a nova rodela do coletivo nacional, volta a ser forte em canções que ficam no ouvido, em batidas rápidas, na aspereza do punk rock e em ganchos melódicos e orelhudos, sempre com um sentido único de musicalidade. Sem perder muito tempo, sendo diretos e eficazes, Rota de Colisão é composto por temas curtos mas onde cabe tudo o que tem que lá estar e onde se diz tudo que deve ser dito. Uma Intro bem imaginativa e um Fim cheio de suspense são os extremos de mais um disco de bom (punk) rock feito em Portugal e cantado em português. Eventualmente não tão exuberante quanto o trabalho anterior, Doa A Quem Doer, esta nova proposta é, no entanto, a confirmação de uma excelente banda que atinge o seu terceiro disco com a manutenção de um invejável nível de qualidade. Num tema como Astronautas, a presença de João Sanpayo torna a canção num dos hinos mais próximos da referência Peste & Sida, mas também é certo que a existência de um Lúcio Fernando poderá derivar de um Alcides Pinto. Seja como for, Astronautas, Estrelas Decadentes, Remédio Santo, Donos Disto Tudo e principalmente És Linda, são temas que prometem ficar nas bocas de todos para serem cantadas de princípio a fim um pouco por todo o lado.

Tracklist:
1. Intro
2. A Nossa Religião
3. Astronautas (Feat. João Sanpayo)
4. Estrelas Decadentes
5. Remédio Santo
6. Confissão
7. És Linda
8. Donos Disto Tudo
9. Tiro No Escuro
10. Lúcio Fernando (Feat. Zorb)
11. Apenas Mais Um Dia
12. Fim...

Line-up:
Ulisses Silva – voz e guitarras
Filipe Brito – baixo e coros
Covas Frazão – guitarras e coros
Ivan Barros – bateria e coros

Internet:
Spotify   

Edição: Rastilho Records   

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entrevista: Greasy Tree

Trio experiente, que sente o blues, que tem atitude e que apresenta um sensacional álbum de estreia. Dustin “Red” Dorton, dos Greasy Tree, fala-nos desta nova experiência e da sua sensacional estreia.

Olá, como estás? Quem são os Greasy Tree? Podes apresentar a banda aos rockers portugueses?
Olá, de momento estamos bem. Estamos com vontade de chegar à Europa. Somos o Cameron, Jacob e Red. E somos os Greasy Tree. Somos uma banda de Rock n Roll do canto nordeste do Arkansas, cerca de uma hora a noroeste de Memphis TN. A banda formou-se no final de 2014 após uma tournée europeia com os Starroy. Nós três decidimos entrar em estúdio e escrever algumas músicas e chamamos a isso de Greasy Tree! Obrigado pelo teu tempo, nós agradecemos.

Como surgiu a oportunidade de formar os Greasy Tree e como tem sido o vosso trajeto até agora?
Quando a banda começou, no inicio, tivemos que aprender a tocar como trio. Começamos a escrever músicas e a tocar em alguns shows locais. Com o dinheiro que fizemos nesses espetáculos, entramos em estúdio aproveitando todas as possibilidades que pudemos e lançamos nosso trabalho homónimo no início de 2017. No processo de tudo isso, sinto que nos tornamos uma boa banda. Todos nós tocamos os nossos instrumentos há anos e com a nova voz que encontramos em Cameron, adoramos esta banda. O trajeto tem sido divertido e aprendemos muito. Mas estamos apenas a começar. Os Greasy Tree têm muito mais para dar.

É possível verificar que já tiveram anteriores experiências musicais relevantes antes dos Greasy Tree…
Sim, todos nós já antes estivemos envolvidos em lançamentos de álbuns com outras bandas. E estivemos em tournée pela Europa em 2014. Foi isso realmente que nos fez falar sobre começar os Greasy Tree. Adoramos ter uma saída musical e realmente gostamos de compartilhar a nossa arte com outras pessoas. Não há melhor sensação do que saber que a música que vem de dentro de nós pode afetar alguém, mesmo que seja apenas uma canção. Isso é poderoso!

Sentes que este vosso trabalho homónimo recém-lançado tem um enorme potencial? São altas as vossas expetativas?
Na verdade, falamos sobre isso há dias. Gravamos este álbum com um baixo orçamento e estamos orgulhosos disso. O primeiro disco de uma banda é um bom ponto de partida. A maneira como escrevemos e tocamos juntos só pode melhorar a partir daqui. Os objetivos para este disco era lança-lo e, espero, fazer uma tournée para ganhar algum dinheiro para o próximo disco. Mas este álbum ficou muito bom. Espero que alguém que goste de uma banda bluesy rock n roll aproveite os Greasy Tree.

Sinto que o vosso álbum tem um som muito orgânico. Foi gravado ao vivo em estúdio?
Sim, gravamos ao vivo. Existem alguns pontos que têm overdubs, mas este é definitivamente um álbum de estúdio ao vivo. Pete Matthews sabe como capturar a sensação ao vivo da banda. Apenas estando em Memphis, podes sentir a sua rica história e a cultura que não tem paralelo.

Já agora, há muita improvisação?
Escrevemos as músicas apenas uma semana ou duas antes de as gravar, portanto, tínhamos algumas estruturas, mas improvisamos noutras. Com isso, sendo um trio e conhecendo-nos musicalmente, a improvisação é algo que fazemos com muita frequência, até mesmo ao vivo.

Puseram um post no vosso Facebook sobre a morte de Chris Cornell. De alguma forma ele foi uma influência ou inspiração para vocês?
Definitivamente, Chris Cornell foi uma influência para todos nós. Ele foi um excelente escritor de canções e uma das melhores vozes que já existiu. A sua morte foi tão trágica, que efetivamente nos faz agradecer pela saúde e pela boa sorte.

Como foi trabalhar com Pete Matthews, um nome com tanta experiência?
Eu e Pete já tínhamos trabalhado juntos no passado. Eu sabia que ele seria capaz de capturar o que procurávamos. Pete é um dos melhores. A High/Low Recordings deslocou-se recentemente para a única estrutura em Memphis originalmente criada para ser um estúdio. Iremos novamente para estúdio neste fim de semana e mal podemos esperar para trabalhar com Pete e Toby novamente.

Ele puxou-vos até ao limite por forma a fazer sobressair todo o vosso potencial…
Trabalhamos muito bem com Pete, e sim, ele sabe como fazer o melhor. Somos uma banda muito jovem, mas estar rodeado de verdadeiros profissionais é uma ajuda tremenda.

Descobri uma frase curiosa no vosso site: a infused blues trio with excess hair and even more attitude... Queres comentar (risos)...
Ha, definitivamente temos muito cabelo e tocamos com atitude. Na verdade, todos somos muito tranquilos e é fácil darmo-nos bem (risos).

No início do próximo ano virão até à Europa... e não será a primeira vez para nenhum de vocês. Que memórias têm do velho continente e quais as perspetivas para o regresso?
Adoramos a Europa e a cena musical europeia. Os fãs que encontrei em toda a Europa foram muito gentis e apreciativos do que fazemos. Espero que isso continue nesta tournée e nas que se seguirão.

E até janeiro/fevereiro, por onde andarão os Greasy Tree e a fazer o quê?
Neste verão, estaremos a tocar no sul central dos Estados Unidos e já estamos a começar a trabalhar num novo disco para 2018. E, claro, anteciparemos ansiosamente o nosso regresso ao Velho Continente. Saudações e muito obrigado pelo teu tempo. Obrigado também a quem está a ler isto. Saudações e esperamos vê-los a todos em breve!

domingo, 18 de junho de 2017

Notícias da semana

Neverland é o título do álbum de estreia dos suíços Gods Of Silence. O álbum sai a 8 de setembro via ROAR! – Rock Of Angels Records e inclui 11 faixas produzidas, misturadas e masterizadas por Dennis Ward. A capa esteve a cargo de Stan W Decker (Masterplan, Vanden Plas, Stryper)


A banda russa de melodic dark/prog metal Tantal, lançará, na Europa e EUA, o seu álbum Ruin no outono. Recentemente, e como forma de avanço, a banda disponibilizou o vídeo do tema Torpid, retirado, precisamente, de Ruin.


Apenas alguns dias depois do lançamento do EP Why Should I Say Yes?, lançado em LP e em formato digital, os Killing Volts, poderosa banda rock de Genebra que inclui membros dos The Black Widow’s Project, disponibilizaram o vídeo do tema Never Insecure.


De Rovaniemi chegam os Wasted Puppets cuja música pode ser descrita como arctic blues rock. A banda lançou, recentemente um novo single intitulado The Pain, música muito pessoal que, na opinião da banda, marca um regresso às origens e mostra os Puppets ao seu melhor nível.


Depois do sensacional Reboot, os Pristine, liderados pela brilhante vocalista Heidi Solheim, têm um novo álbum intitulado Ninja que tem lançamento pela Nuclear Blast. Para já estão disponíveis os vídeos dos temas You Are The One e Sophia, embora os noruegueses tenham vindo a lançar regularmente comentários track by track. Aqui fica a análise aos temas 7 a 9 de Ninja.


Os Jupiter Falls apresentaram um novo vídeo para a versão acústica do tema Call Me, tema retirado do espetacular disco Faces In The Sand (Part One). De acordo com James Hart, vocalista, há muito tempo que a banda tentava algo semelhante, mas Call Me revelou-se a canção perfeita para tal.


Os vampíricos Theatres des Vampires tocaram a 20 de maio no Rock’n Iasi Open Air, em Iasi, Roménia e um pequeno video, filmado e editado por Razvan M. Lupascu, foi colocado online. Para além disso, os italianos anunciaram que o seu novo vídeo Resurrection Mary estará disponível em julho, juntando-se assim ao vídeo já anteriormente apresentado de MorganaEffect.


Cinco anos e meio depois da bem-sucedida estreia Some Strange Heavy Sound, o quinteto francês de heavy metal/prog rock Superscream lançou o seu novo álbum intitulado The Engine Cries através da Send The Wood Music/Season Of Mist. Paralelamente, a banda lançou o video do tema The Engine Cries (Superscreamrise). Os franceses estão, também, a preparar um DVD ao vivo.


Fia-te na Virgem e Não Corras é o título do novo trabalho dos Chapa Zero. O sucessor do álbum homónimo de 2013 é editado pela A Moca da Foca/Altafonte em formato digital e traz mais 26 minutos de punk rock e agressão verbal de certos setores da nossa sociedade que precisam de um abanão valente. E sob a forma da música dos Chapa Zero é mais agradável. A versão do tema popular Zumba na Caneca foi a escolha para primeiro vídeo.


Os texanos Helstar lançaram o vídeo do tema Awaken UntoDarkness, novo single retirado do álbum Vampiro, continuação do seu aclamado álbum de 1989, Nosferatu. Misturado pelo lendário produtor Bill Metoyer (juntamente com Larry Barragan), Vampiro é um fantástico regresso de uma banda icónica e que se mostra em grande forma.